terça-feira, 14 de julho de 2009

Transição

Às vezes, outro despertar escuro com o amargor à boca
Do sangue velho transbordante das feridas latejantes que só fazem lembrar.

À volta, fantasmas entrelaçam-se sorrateiramente em vultos indefiníveis e sabidos.
Corpo estremecido e gelado, arrastando-se negado ao adiante.
Cabeça torturada por turbilhões de pensamentos e maldições, incompreensíveis, inseparáveis, dilacerantes.

Pedras às mãos, braços rijos emaranhados ao peito desprotegido que se apavora em tornar a ser morada.
Sorrisos expulsos pela frieza que toma lugar em todos os cantos, esparramando-se pelas juntas e entranhas.
Petrificado por conveniência, arredio por necessidade!

E a lembrança do tudo retorna o que já não era.
Mas o tudo já ficou! Só restaram os espinhos encarnados que lembram o tudo passado ao ferir o futuro impensado, numa ânsia incontrolável de proteger o que foi cinicamente espedaçado pela indiferença.

Ainda que liberto de, após sobreviver heroicamente à assombrosa guerra, estagna-se amedrontado frente ao inconsiderado libertar-se para.
E assim, o que ficou ronda; e o que viria equilibra-se ébrio entre a delícia do incerto e a certeza do nunca.

2 comentários:

  1. É assim os que vivem de passado. O passado não serve mais pra nada, já foi, não existe mais e nunca mais existirá, só fica na mente e quando nós heróis nos libertamos deste, podemos afirmar com certeza que o hoje é bem melhor, e que apenas crescemos mais um pouco, rumo a um caminho incerto mas cheio de devaneios que por ironia veio daquele passado, aquele que nós descartamos em algum canto de nossas vidas.
    Beijos
    Cris.

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  2. É....e como é complicado essa libertação, ainda mais por ser pensada de uma forma errônea. Mas acima de tudo, é preciso acreditar! Acreditar em nós mesmo, porque somos os únicos responsáveis por tudo que nos acontece. E acreditar, abranda o medo e podemos encarar o futuro...e abandonar o passado - morto!

    Bjos..

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