quarta-feira, 15 de julho de 2015

Café da Manhã

Manhã fria e cansada,
Sol fraco, lutando atrás de nuvens,
Chão molhado e pegajoso,
Ruas se enchem, pessoas se agitam.

Para um carro,
Frente a um grande edifício,
Fila dupla,
Porta-malas sendo esvaziado das guloseimas e bebidas.

O fiscal de trânsito observa,
Indeciso,
O carro é importado,
A proprietária bem vestida.

O homem puxa uma carroça cheia,
Sem retranca, nem quaieira,
Nos pés: restos de chinelos,
Na cabeça: uma sacola plástica rasgada.

Tremula sob trapos finos,
Seus olhos lhe mostram a carga em descarga.
Seu rosto personifica a fome.
Vacila três vezes, pede, não pede?

Um motorista descarrega na buzina sua pressa,
O homem, disperso, salta assustado e tenta um trote,
O fiscal de trânsito desvia o olhar,
O carro importado continua a descarga, em fila dupla.

domingo, 28 de junho de 2015

Insistência

Fico com raiva,
Mas vem a tristeza.
Fico com pena,
Ainda quero ajudar,
Não me deixa.

Não se mexe,
Eu fico puto.

Fico cansado,
Mas insisto...

É uma zona,
Nada funciona.
Como um barco que afunda,
E todos se afogam
Sem lutar e com boias ao corpo.

domingo, 7 de junho de 2015

Esquecida

Traída pela vida
Segue ela a esbravejar pela praça suas e outras desgraças
àqueles que passa menos percebidos que ela.

Distribui injúrias e incompreensões que exigem de todos o seu
esquecimento,
A pô-la fora de seus caminhos pesados e esfolados.

Segue ela a coçar as partes,
A sacudir os trapos de seu vestido velho – há muito no mesmo labor,
Sob cabelos desgrenhados e definhados,
Obrigando-se a ser desprezivelmente sentida no ar.

A cada poucos passos estagna-se em novos protestos e clamores,
Despeja-se por tudo e a todos,
Infringe o pouco de dignidade que sobrevive nos primeiros entre dois ou três olhares.

E assim esquece-se entre o ir e vir,
Esquece-se já esquecida,
Esquecida pelos seus,
Esquecida pelos dos outros,
Esquecida pela própria sanidade,
Que lhe priva das dores e das tristezas,
Das possibilidades e das aleatoriedades,
Que se revelam nas vidas.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Do concurso de Poesias Livres 2015

Com Nanodicionário já está batendo à porta, eis que me aparece uma nova grande conquista: o resultado do concurso de poesias "Poesias Livres 2015:



Grande momento que compartilho com todos vocês!

Abraços!

domingo, 24 de maio de 2015

NanoDicionário: falta pouco!

Pessoal,

As recompensas da campanha do meu livro NanoDicionário já começaram a chegar no Bookstart! Logo, logo vocês começarão a receber os seus livros!

Não deu tempo de apoiar esta campanha? Não tem problema, você pode adquirir o seu neste link: http://livraria.bookstart.com.br/homepage/nanodicionario


Vejam como estão ficando!