segunda-feira, 11 de agosto de 2014

O Que Sei

Algumas coisas eu sei,
Outras eu acho que sei [não sei...],
Muitas eu não sei.

As que sei,
Uso de referência,
Para não me perder nas mesmas pedras,
Para poder mudar o rumo, seguir à diante.

Das que acho que sei,
Sigo atento, ora ignorante, ora perspicaz,
Sempre a observar, a confirmar.

As que não sei,
Aprendo, quando for a hora,
Não antes, para o caminhar não atrapalhar,
Sigo atento, para tudo aproveitar e pouco machucar.

domingo, 3 de agosto de 2014

Fogo


Somente teme o fogo aquele que um dia se queimou;
O outro, por mais que esteja avisado,
Não o teme e o desafia até a primeira queimadura,
Quando distribuirá a culpa de seu infortúnio.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Ao Naufrágio

Ignorou o nobre capitão o alerta desesperado do vigia no topo do mastro.

Obstinou-se em sua decisão.
Convicto, manteve a rota,
Pulso firme no timão,
Olhar fixo e expressão impassível.

Rajadas de ventos assoviavam uma nova rota,
Espessas nuvens negras anunciavam a tormenta,
Súplicas indiscretas eram rogadas pelo contramestre,
Murmúrios e gemidos amedrontados latejavam o convés.

Ignorou o nobre capitão o alerta desesperado do vigia no topo do mastro.
Intransigente, surdo e cego, seguiu convicto,
Guiando vidas ao anunciado e terrível fim evitável.

domingo, 13 de julho de 2014

Felicidade

Aviso àqueles à procura da felicidade: DESISTAM!

Não está a felicidade em um lugar esperando para ser tomada,
Está ela em todos os lugares, sob todas as formas, mas nunca escondida.

Está no sorriso alheio, no sol que brilha,
No pão quente, no barulho da chuva,
Nos cheiros de café recém-coado, nos sabores da comida materna,
Nos olhares, nos gestos, nos toques,
Nas flores, nos animais, no céu azul, nas crianças...

Felicidade não pode ser encontrada, mas construída!
Deve ser colhida, amontoada, lapidada,
Todos os dias, aos poucos,
Entre as tristezas, as decepções e as dificuldades da vida.

Felicidade é como areia:
Corre pelos dedos,
Se vai com o vento,
E pode formar lindos castelos.

A cada enxadada, um sorriso
E se não houver, causemo-los!

É preciso olhar ao redor com olhos e corações abertos,
Caçar estas pequenas maravilhas, construir a felicidade,
E vivê-la intensamente até que se vá novamente.
Felicidade pede verbo estar, jamais o ser.

A felicidade contamina tudo e a todos:
Estejamos felizes e causemos uma pandemia!

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Tempo Sobre Tempo

É árido de tempo o tempo em que vivemos:
Opressor, exige das sobras mais do que valeram
Cruel, consome os olhares e os carinhos
Irônico, é criatura e não criador.

É árido de sentimentos o tempo em que vivemos:
Egoísta, não permite a vida
Ciumento, sufoca os amores e as felicidades
Valioso, justifica a própria ausência.

Em tempos como este,
As sensações não se definem, se misturam, se condensa,
Nada se fixa, nada toma forma, tudo na essência se perde,
Os caminhos mais se bifurcam, se entrepõem e se contrapõem.

Em tempos como este,
Somos julgados pela capacidade de desprendimento para com a vida,
Pela priorização a partir da matéria,
Pela individualidade agressiva.

Em tempos como este,
É preciso sentar-se ao barranco a observar o rio a passar,
Sentindo o sol no rosto a ouvir o tempo passar,
Apenas existindo como se tudo fosse uma grande piada, e viver!