domingo, 31 de agosto de 2014

Le Storie di Arealibro II

Olás!

Em outubro do ano passado, celebramos aqui o lançamento da antologia "Le storie di AreaLibro", pela comunidade Arealibro, no qual participei com um dos meus textos.

O projeto foi um sucesso! Na sequência começamos a preparar a segunda antologia e é ela que apresento agora a vocês:
http://www.edizionisimple.it/libro/le-storie-di-arealibro-ii-epub/

Mantendo os moldes da primeira, esta nova antologia é eletrônica (e gratuita) com textos de diversos autores.

Para conhecer mais sobre o projeto, clique aqui.

Para baixar o seu exemplar, clique aqui (será necessário criar uma conta de acesso).

Abraços...

domingo, 24 de agosto de 2014

Mudanças

Esse mundo parece mais uma bolsa pulsante que muda de formas cores, sabores e cheiros a uma velocidade alucinante. Cada vez mais, mudanças acontecem a todo momento, em todos os lugares, frutos da evolução tecnológica, econômica e, por que não, social.

Vivemos em ritmo cada vez mais frenético em que as adaptações devem estar, no máximo, a meio passo atrás das mudanças. Não é algo fácil, pelo contrário, é difícil e tortuoso, mas graças à nossa incrível capacidade intrínseca de adaptação, sempre alcançamos. E foi esta capacidade de adaptação que garantiu à nossa espécie não só a sobrevivência, mas também toda a nossa evolução. Evoluímos porque nos adaptamos, nos adaptamos porque mudamos!

O interessante é que, ultimamente, os indivíduos da nossa espécie, ou seja, nós, resolvemos nos sentar sobre nossas arrogâncias e nos colocarmos como imutáveis. Ou seja, os indivíduos da espécie que mais mudou, hoje são “assim mesmo”. Estranho, não?

É comum a quantidade de vezes que ouvimos esta frase covarde: “sou assim mesmo”. Sim, somos assim mesmo: mutáveis, adaptáveis; não pedras teimosas cheias de si que se posicionam donas de qualquer verdade. E é isso que mais vemos hoje. As pessoas estão intransigentes e intolerantes, mas por assim escolherem. Isso é uma bola-de-neve dos diabos, pois é o tipo de sentimento que machuca e provoca o sentimento de autodefesa nos outros.

Isto não se aplica apenas às relações sociais, aquelas dos trânsitos e das padarias, mas entre amigos, entre familiares, em relações amorosas nas quais o sentimento de bem-querer devia prevalecer sob uma grande forma de amor, mas que sucumbe diante das estagnações e intransigências das partes. É comum vermos casamentos, noivados, namoros, amizades e até relações familiares se deteriorarem pela estagnação. Não por falta de amor, mas por ser água mole em pedra dura, que dissolve e enfraquece o amor: “tenho minha verdade e ela é absoluta na minha e na sua vida, não me diga o contrário se quiser manter-se comigo”. Adaptabilidade? Só se for da parte que consegue conviver com isso. Mas esta opção me parece um tipo de autoflagelação.

Onde foram parar as conversas? Onde foram parar a vontade de ver o outro sorrir? Onde foi parar a possibilidade de ceder para satisfação alheia (que também se torna comum às partes)? Onde foram parar as pequenas negociações que mantêm em pé as relações? Por que tanta arrogância? Por que a impossibilidade de ouvir, de coração, uma palavra, um pedido, uma reclamação que seja, sem indignação para com quem a profere, transferindo-lhe todas as responsabilidades daquilo que ele mesmo pede?

Estamos intolerantes, estamos arrogantes e estamos sem educação básica.

Escolher não mudar, não se adaptar é uma opção de cada um e deve ser respeitada. Porém, quem faz esta escolha precisa compreender que escolheu o individualismo, o que não se aplica a uma vida em sociedade, que escolheu viver somente as suas verdades como as únicas.

O triste é que, como estas escolhas estão cada vez mais comuns, as pessoas estão vindo dos berços prontas para este tipo de vida individualista. Infelizmente, é o tipo de ser que vai acabar seco, sozinho e arreganhado, sem ter nem em quem colocar a sua própria culpa.


É verdade que não mudar é a opção mais fácil, pois é possível viver apenas com as próprias verdades, impor e exigir a satisfação apenas das próprias vontades e caprichos, sem nada dar em troca. É possível atribuir as próprias falhas aos outros e a eles também as responsabilidades de adaptação que deveriam ser comuns aos seres em sociedade. É possível viver só de direitos sem considerar a existência de deveres. Contudo, as consequências devem ser consideradas. Aquele que assim prefere viver vai machucar os outros e nunca estará satisfeito. Os outros irão, inevitavelmente, se afastar, mantendo uma distância inversamente proporcional aos sentimentos relacionados – mas irão se afastar. E aquele que não quer mudar, definhará, se tornará uma pessoa amarga e desagradável, escolherá a si próprio e renunciará ao conjunto, à vida coletiva.

Mudar é difícil, dói, pois erra-se e apenas com os erros é que se aprende; mas aquele que tenta, inclusive o que apenas intenta, mantém-se cercado de pessoas que o querem bem, que o apoiarão e quererão com ele sorrir. Quem muda, quem tenta ser uma pessoa melhor, erra; o perfeito, aquele que não tem mais o que fazer (ou não quer), não está mais vivo, apenas existe!

Cito Érico Veríssimo: “Quando os ventos de mudança sopram, umas pessoas levantam barreiras, outras constroem moinhos de vento.”

Para sermos, hoje, pessoas melhores do que ontem e, amanhã, melhores do que hoje, temos que mudar, um pouquinho por dia, com o que aprendemos, ouvimos e vemos à nossa volta. Caso contrário, seremos pedras, estátuas incômodas que cansam a visão das pessoas e mal se encaixam aos cantos.

Mudemos, tentemos ser pessoas melhores e vivamos de verdade em comunhão; caso contrário, soframos!

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

O Que Sei

Algumas coisas eu sei,
Outras eu acho que sei [não sei...],
Muitas eu não sei.

As que sei,
Uso de referência,
Para não me perder nas mesmas pedras,
Para poder mudar o rumo, seguir adiante.

Das que acho que sei,
Sigo atento, ora ignorante, ora perspicaz,
Sempre a observar, a confirmar.

As que não sei,
Aprendo, quando for a hora,
Não antes, para o caminhar não atrapalhar,
Sigo atento, para tudo aproveitar e pouco machucar.

domingo, 3 de agosto de 2014

Fogo


Somente teme o fogo aquele que um dia se queimou;
O outro, por mais que esteja avisado,
Não o teme e o desafia até a primeira queimadura,
Quando distribuirá a culpa de seu infortúnio.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Ao Naufrágio

Ignorou o nobre capitão o alerta desesperado do vigia no topo do mastro.

Obstinou-se em sua decisão.
Convicto, manteve a rota,
Pulso firme no timão,
Olhar fixo e expressão impassível.

Rajadas de ventos assoviavam uma nova rota,
Espessas nuvens negras anunciavam a tormenta,
Súplicas indiscretas eram rogadas pelo contramestre,
Murmúrios e gemidos amedrontados latejavam o convés.

Ignorou o nobre capitão o alerta desesperado do vigia no topo do mastro.
Intransigente, surdo e cego, seguiu convicto,
Guiando vidas ao anunciado e terrível fim evitável.