terça-feira, 8 de setembro de 2009

De Volta ao Fim do Mundo

Está acontecendo de novo, já vi esse filme e não quero ver de novo.
Quero voltar, para tudo, vou descer!
Não, não adianta me dizer que não; está tudo errado.
Chega desta mesma velha história, tão cansada, tão batida – não pode ao menos inventar algo novo?

Aqui estou eu novamente: quilômetros, quilômetros e quilômetros longe de casa,
À beira do fim do mundo, no escuro, bem onde fomos parar.

Pode ir, não precisa olhar para trás, sei muito bem como fazer, sei como funciona.
Apenas vou tomar um fôlego, enxugar meu rosto e pegar meu rumo de volta – de volta não sei para onde.
Casa já se tornou um abstrato e se ainda houver algo de concreto, são escombros dispensáveis.

Para que tanto me pedir para não lhe deixar, para não lhe esquecer, para não lhe faltar, para sempre lhe desejar se no fim é você, de lábios ainda molhados, corpo suado e alvo definido, quem vira as costas no primeiro obstáculo e de alma leve me faz engolir tudo a seco?

Chega desse jogo ridículo.

Sempre a mesma coisa: acordar num dia escuro e chuvoso, sozinho no meio do nada e de tudo, com o corpo enjoado, a cabeça doendo e ver suas promessas, seus carinhos, seus sorrisos deslizando pueris no céu às gargalhadas sob desculpas esfarrapadas que espedaçam nossos sonhos e não merecem o mais medíocre questionamento vazio.

Voem, voem para longe, voem para o nunca mais!
E levem consigo suas piedades e suas boas resoluções e as escondam debaixo da mais alta e assustadora montanha, pois nem os infernos as merecem.

Eu gostaria de poder parar, gostaria de ter para onde voltar e nunca mais acreditar.
São muitos anos, muitas vezes, muitas mentiras, muitos lugares, muitas dores, tudo em vão!

Daqui continuamos eu e minha sombra!
Apenas seguirei o meu caminho, não importa para onde.
Habitarei em mim e serei meu mundo até a hora que eu me quebrar e não mais me levantar.
Até lá, quanto mais mal resolvido, mais eu!

6 comentários:

  1. Mais uma vez, um grito de liberdade, aquele nó que ja desata da garganta, o corte do cordão que parecia eterno e a força vindo galopante em busca de uma nova história.
    Deixemos o passado com os ancestrais e suas culturas vãs e vamos nascer para esse novo mundo , the wonderful world.
    Beijos
    Cris.

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  2. Sempre...rsrs...e quem cada vez um pouco mais calejado, mas sempre...sem parar...seguindo!!

    Beijos tia!!

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  3. Gostei por demais do texto, mas permita-me sugerir um título: Dejavú. Mui bueno Poeta, á mim, os dias se repetem, mesmo não me lembrando de quase nada pós o partir daquela que realmente amo.

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  4. Olá Junior!!

    Olha...lhe confesso que fiquei um bom tempo pensando num título para este texto e este passou pela minha cabeça também!

    É...essas coisas realmente tristes...e marcam de um jeito muito complicado...muito mesmo. O duro é que não resta nada que se fazer a não ser seguir o caminho.

    Obrigado pela visita, seja bem-vindo!!

    Abraço,

    Rafael

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  5. Abstrato e genial! Difícil escrever assim... falar sobre o tudo e o nada de forma tão racional e equilibrada! Achei fantástico, parabéns!

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  6. É Vinícius...realmente dá vários nós na cabeça...trava também.. rs

    Mas não sabia deste equilíbrio que você menciona...gostei de saber!

    Obrigado pelo comentário!!

    Um grande abraço,

    Rafael

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