testesetse

domingo, 27 de setembro de 2015

Pare... Respire... Pense

Está muito rápido,
O tempo é curto,
O tempo é dinheiro,
E é o dinheiro quem faz o tempo.

A família pesa,
A esposa impacienta,
Os filhos aborrecem,
O amor é abstrato, [coisa de livros]

As buzinas excretam os insultos e humilhações entalados nas goelas,
Os motores esturram as frustrações de ratos escondidos por de trás dos volantes.
Não há direitos, há privilégios [...] à singular primeira pessoa,
Às demais: deveres!

Mataram os sorrisos,
Sufocaram bons-dias, boas-noites... Boas-tardes?
Enforcaram as gentilezas,
Engoliram os por favores,
Decompuseram os obrigados.

Transbordam os nãos!

Sonham mediocridades,
Mínguam os sonhos,
Pluralizam as cardiopatias.
Saúdam as desgraças,
Enxotam os sentimentos,

Atropelam os pedestres, as esposas e os filhos,
Aos pais não se dão notícias, eles hão de compreender![?]

Está muito rápido, mas não o suficiente: aceleram!
Não adianta frear, pois empurram.
Aceleram, mais e mais, de novo, sem saber aonde chegar.

Faltam a mão que levanta,
O ombro que escora,
E o ouvido que afaga.

Atrofiaram as vidas.

Não vivem, apenas existem: zumbis!
Amargos,
Imediatos,
Insuficientes,
Insatisfeitos,
Tristes sem saber que o são,
Falsos para consigo mesmos.

[...] Quem?

Pense!

domingo, 30 de agosto de 2015

Pousada Águia I - por Orlando Góes

Estávamos pescando em Tocantins, nos rios Araguaia e Cristalino. Em um dos dias, nosso amigo Orlando tirou o dia para descansar. Quando voltamos, encontramos este texto na parede do nosso quarto: resultado de uma mente tranquilizada e um coração sorridente. Fomos um bando de pescadores, voltamos um grupo de amigos.

*      *      *

As águas do Araguaia
Se juntando ao Cristalino
Lavam a minha idade
Me fazendo menino.

Subindo e descendo rios,
Botos, arraias, piranhas,
Tentam me atazanar,
Sem saber que eles me ajudam
A enfrentar desafios
E meus problemas afogar.

Águas calmas, quase paradas
Um verdadeiro divã,
Onde o Deus é o psicólogo
Deixa a minha mente sã.

Uma vez no mês de julho,
Desta no mês de agosto,
Ano que vem, talvez, maio.
Não importa o calendário,
O que importa são os amigos
Neste pequeno santuário.


Orlando Góes (Vam Dorf)

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Café da Manhã

Manhã fria e cansada,
Sol fraco, lutando atrás de nuvens,
Chão molhado e pegajoso,
Ruas se enchem, pessoas se agitam.

Para um carro,
Frente a um grande edifício,
Fila dupla,
Porta-malas sendo esvaziado das guloseimas e bebidas.

O fiscal de trânsito observa,
Indeciso,
O carro é importado,
A proprietária bem vestida.

O homem puxa uma carroça cheia,
Sem retranca, nem quaieira,
Nos pés: restos de chinelos,
Na cabeça: uma sacola plástica rasgada.

Tremula sob trapos finos,
Seus olhos lhe mostram a carga em descarga.
Seu rosto personifica a fome.
Vacila três vezes, pede, não pede?

Um motorista descarrega na buzina sua pressa,
O homem, disperso, salta assustado e tenta um trote,
O fiscal de trânsito desvia o olhar,
O carro importado continua a descarga, em fila dupla.

domingo, 28 de junho de 2015

Insistência

Fico com raiva,
Mas vem a tristeza.
Fico com pena,
Ainda quero ajudar,
Não me deixa.

Não se mexe,
Eu fico puto.

Fico cansado,
Mas insisto...

É uma zona,
Nada funciona.
Como um barco que afunda,
E todos se afogam
Sem lutar e com boias ao corpo.

domingo, 7 de junho de 2015

Esquecida

Traída pela vida
Segue ela a esbravejar pela praça suas e outras desgraças
àqueles que passa menos percebidos que ela.

Distribui injúrias e incompreensões que exigem de todos o seu
esquecimento,
A pô-la fora de seus caminhos pesados e esfolados.

Segue ela a coçar as partes,
A sacudir os trapos de seu vestido velho – há muito no mesmo labor,
Sob cabelos desgrenhados e definhados,
Obrigando-se a ser desprezivelmente sentida no ar.

A cada poucos passos estagna-se em novos protestos e clamores,
Despeja-se por tudo e a todos,
Infringe o pouco de dignidade que sobrevive nos primeiros entre dois ou três olhares.

E assim esquece-se entre o ir e vir,
Esquece-se já esquecida,
Esquecida pelos seus,
Esquecida pelos dos outros,
Esquecida pela própria sanidade,
Que lhe priva das dores e das tristezas,
Das possibilidades e das aleatoriedades,
Que se revelam nas vidas.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Do concurso de Poesias Livres 2015

Com Nanodicionário já está batendo à porta, eis que me aparece uma nova grande conquista: o resultado do concurso de poesias "Poesias Livres 2015:



Grande momento que compartilho com todos vocês!

Abraços!

domingo, 24 de maio de 2015

NanoDicionário: falta pouco!

Pessoal,

As recompensas da campanha do meu livro NanoDicionário já começaram a chegar no Bookstart! Logo, logo vocês começarão a receber os seus livros!

Não deu tempo de apoiar esta campanha? Não tem problema, você pode adquirir o seu neste link: http://livraria.bookstart.com.br/homepage/nanodicionario


Vejam como estão ficando!