testesetse

terça-feira, 14 de maio de 2013

Novas Parcerias

Olás!!

O meio literário já é um meio muito complicado, sem divulgações fica ainda mais emperrado. Mas nestes últimos dias fechei duas importantes e gratificantes parcerias, as quais gostaria de compartilhar com vocês:


Autores S/A
Um espaço onde os estudantes e professores pudessem compartilhar seus textos e trocar ideias sobre literatura, música, cinema e cultura em geral. Esta foi a ideia original do blog Autores S/A, que surgiu em 05 de julho de 2009. Alguns contatos foram feitos e aos poucos os amigos foram chegando e associando-se. O blog cresceu, apareceu, e em pouco tempo já acolhia pessoas de outras cidades e estados. Administrador pelos dedicados Lohan Lage e Camila Furtado, que, juntamente com cada escritor do blog, trabalham para fazer deste espaço um lugar interessante e dinâmico. Sem dúvida, trata-se de uma Sociedade diferente das outras, pois sem qualquer fim lucrativo, seu objetivo continua sendo a propagação da leitura, a descoberta de novos talentos e a valorização do pensamento e das diferentes formas de expressão. Estarei no Autores S/A todos os dias sete de cada mês. A minha primeira publicação é "E Se...?".



AreaLibro



Fruto da editora italiana Stampalibri.it, o AreaLibro é um blog tem o objetivo de formar um novo canal de divulgação da literatura mundial e um grande ponto de encontro entre artistas de todos os tipos. Tudo sob o escudo desta editora que há tanto tempo está na estrada. A minha primeira publicação também é "E Se...?" mas em italiano.


Visitem!!

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Mais uma Revolta

Há três semanas o Legislativo e o Judiciário estão nesta rincha besta, discutindo a essência de cada um, como já me ensinara minha querida professora do primário. Legislativo querendo tomar um lugar ainda mais ao sol e, assim, aumentar seu questionável poder.

Há meses, moleques estão a assombrar as nossas ruas: atiram na cabeça de quem lhes dá o que pedem; ateiam fogo em que não tem o suficiente para lhes satisfazer; estupram em ônibus público, em público, quem está no seu ir e vir; arrebentam vidas de ex-namoradas que abriram os olhos e resolveram com eles não mais conviver; avassalam famílias; roubam, matam, estupram, tiram, destroem, fazem o que bem entendem e ainda saem ilesos: riem na cara de todos nós diante da certeza da impunidade garantida por lei.

Há mais meses ainda, "ilustres excelências", mensaleiros que meteram as mãos no dinheiro público de forma tão desaforada e foram condenados pelo nosso cavaleiro das trevas tupiniquim, andam à solta de narizes empinados, com a arrogância estampada na cara deslavada enquanto serpenteiam por eventos de alto padrão, clamando por revanches jurídicas - aqui um exemplo de conveniência jurídica - àqueles que os "difamam" em meios de comunicações sérios e comprometidos com verdade e o bem-estar público.

Há anos uma mãe foi presa, sem direito a nada recorrer, por roubar um pote de margarina para dar à filha que não tinha o que comer! É um crime e merece punição? Claro que sim! Mas só ela? Só ela não tem deveres? Fico pensando: se uma manteiga dá no que deu, imagina os milhões desviados por aquelas "excelências"? E chego à seguinte conclusão: sou um completo idiota!

E a lei? Há lei? Todas as respostas sobre as impunidades reclamadas pela sociedade se dizem embasadas na lei. Então, que porcaria de lei é essa? Que porcaria de legislativo é esse que até hoje não deu um jeito nestas leis? Que lei são essas que garantem uma justiça injusta? Justiça, meu caro leitor, é aquela em que todos têm direitos e deveres iguais. Esta nossa lei é conveniente. A justiça justa só é feita quando a imprensa consegue garantir, aos trancos e barrancos, ameças e acordos, uma grande repercussão ao caso, sob um papel justiceiro que devia caber aos nossos governantes e senhores da tal lei. A justiça justa acontece quando exímios promotores, inconformados com a deturpação dos resultados do seu trabalho, se põe em uma busca incessante de brechas legais que lhes permitam reverter o trato leve e desconsiderado de certos juízes apáticos e descomprometidos que só fazem correr mecanicamente um processo alegórico, quando em suas palavras e olhares estariam as possibilidades de, no mínimo, um corretivo exemplar.

E quem poderia ajudar a mudar estas leis? Quem poderia colocar o sistema do lado da vítima? Quem poderia garantir, legalmente, uma justiça justa? Aqueles senhores que estão, no momento, brincando de tomar a cadeira do judiciário, ludibriando a realidade, se preparando para a próxima eleição, enquanto deveriam honrar as calças que vestem e se postar como sérios e responsáveis representantes do povo? Não, acho que não!

Isto aqui já virou terra de ninguém faz tempo. Pago impostos altos, mas não vejo nenhum retorno. O que vejo é a desigualdade reinando, a falta de uma saúde digna, ausência de uma educação decente, a completa insegurança e poderosos cada vez mais poderosos.

Falo com revolta e indignação de um cidadão que tem respeito e esperança pelo seu país. Que não se conforma diante desta palhaçada que fazem nossos representantes. Falo isso como cidadão que tem que se desdobrar para garantir aquilo que os seus impostos [pagos] deveriam lhe garantir. Falo com a indignação que me dão por direito, de graça e sem eu pedir!

E, por isso, dispenso qualquer comentário, explicação técnica ou "revoltinha" de qualquer jurídico ou governante que se sinta ofendido e se ache no direito de me dar lição de moral. Se assim o achar, peço que abotoe a carapuça que já vestiu e siga seu caminho para a copa do mundo.

No mais, fica aqui mais um dos meus irrisórios inconformismos e mais uma das minhas entediantes indignações!

terça-feira, 30 de abril de 2013

Num Twitter

Com os inúmeros canais de comunicação e interação disponibilizados tão facilmente pela internet, as formas de se viver e de se comunicar têm tomado rumos, digamos, no mínimo, inusitados. Confesso que está cada vez mais difícil manter-se atualizado sobre as constantemente renovadas codificações de comunicação e comportamento. Hoje se comunicam com dispositivos, com pessoas reais, com pessoas que não existem e, acreditem, com ninguém (ou talvez alguém, ou talvez o nada?). Confesso que eu tento, mas me perco. Não sei se é porque estou ficando velho, mas acho que perdi alguma parte no meio deste caminho (risos).

Pensando nisso (e rindo sozinho), resolvi montar a situação irônica a seguir, que apesar de fictícia não tem nada de improvável. Se você não conseguir compreender, corra, dê um jeito, se vire, pois esta parece ser a nova forma de comunicação!

*          *          *

Num twitter:

@twitteiro (10:32:34): estou super indo para casa #nemacredito

@twitteiro (10:33:18): nossa, que curva louca que o motô fez, quase caí #motoestressado

@twitteiro (10:33:43): a tia tá xingando o motô, lol

@twitteiro (10:34:13): @amigaseguidora soh vc mesmo #doidinha

@twitteiro (10:34:28): RT @amigoseguidor1 se os motorista andam assim, onde este país vai parar? #hiperrevoltado

@twitteiro (10:35:04): tá chegando, vou apertar o botão para parar #seraquepara

@twitteiro (10:35:04): eca, alguém tem um lenço? #botaonojento

@twitteiro (10:35:22): desci, já estou super chegando #voulavaminhamao

@twitteiro (10:37:04): nossa o tiozinho esbarrou em mim e nem pediu desculpa, credo #gentesemeducacao

@twitteiro (10:39:12): como demoram estes semáforos #muitolerdo

@twitteiro (10:40:23): quanta gente estranha aqui :S

@twitteiro (10:40:52): nossa, tem um cara vindo mega esquisito #tameolhandomuito

@twitteiro (10:41:07): ai meu deus, será um assalto? #vindoemminhadirecao :0

@twitteiro (10:41:24): eh sim, estou sendo assaltado @amigoseguidor2 avisa a polícia #sohacontececomigo

@twitteiro (10:41:42): ele pediu minha carteira, o que acham que devo fazer? #respondam

@twitteiro (10:41:58): o estúpido nem pra pedir com educação #gentegrossa

@twitteiro (10:42:13): agora ele tá queren ...

@twitteiro (10:42:16): queren

@twitteiro (10:42:21): meu ce #q

@twitteiro (10:42:33): que saco!

@twitteiro (10:42:36): celular #partiu

...

@twitteiro (15:01:13): oi genteeeee, voltei de celular novo! #megafeliz

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Um Grande Encontro

Não me lembro quando e nem como, mas desde os primórdios do "Desce Mais Uma!" conheci um grande amigo blogueiro que tem estado presente por aqui desde então. Advogado da União, Procurador do Banco Central, Juiz Federal, Cordelista, Poeta, Músico, Compositor, Contista e tantos outros, Marcos Mairton, mantém o blogue parceiro Mundo Cordel. Mesmo com tantas atribuições, Mairton já publicou vários livros e tem feito diversos trabalhos musical que merecem destaque. O livro "Contos, Crônicas e Cordéis" é sua mais recente publicação (Clique aqui para conhecer suas obras).

Já trocamos mensagens, textos, referências em blogues, divulgações, livros e comentários. Mas somente hoje, depois de tanto tempo, trocamos apertos de mãos! Nos encontramos pessoalmente pela primeira vez e além de uma boa conversa, é claro, renderam também livros (e eu saí no lucro, olhem na minha mão...rsrs).


Marcão, foi um prazer!

domingo, 14 de abril de 2013

O Marciano Que Invadiu a Paraíba pra Roubar Rapadura - Vicente Campos Filho

Há alguns meses, minha cunhada esteve na Paraíba e me trouxe de presente alguns folhetos de cordel do Vicente Campos Filho. E como não poderia ser diferente, entrei em contato com o Vicente que autorizou muito gentilmente a publicação de um de seus cordéis aqui no Desce Mais Uma!. Para quem quiser conhecer mais do trabalho do Vicente, eis o link do blog dele: Vicente Campos Filho.

*          *          *


Tava eu fumando quieto
Na sombra do juazeiro
Quando vi aquela coisa
Descer do céu bem ligeiro
Parecia um dragão
Cuspindo fogo no chão
Fez aquele reboliço
Dei um pulo tão danado
Pensei: “É malassombrado
Valei-me meu Padrim Ciço”.

Era uma coisa redonda
Brilhava que nem catarro
Pela minha experiência
Nem era avião, nem carro
Quando a porta se abriu
De lá de dentro saiu
Um bicho todo asqueroso
Magro, feio e zoiúdo
Cabeça grande, orelhudo
Com rabo, feito o tinhoso.

Eu fiz o sinal da cruz
Caminhando para trás
E gritei: “Volta pro inferno
Vai de reto Satanás
Volte nos rastro que veio
Não perturbe o que é alheio”
Aí o bicho falou
Com voz de disco arranhado
“Vim de longe, tô cansado
Que o meu povo me mandou”.

“Eu vim do planeta Marte
Onde acabou-se a comida
Lá de cima a Paraíba
Foi a terra escolhida
Me mandaram em missão
Disseram que desse chão
Sai a comida mais forte
Mais gostosa e mais pura
Vou levar sua rapadura
E se não der vai ter morte”.

E partiu para o meu rancho
Levando sua feiúra
Sabia que ali estava
O estoque de rapadura
Deve ter sentido o cheiro
E eu tentei chegar primeiro
Mas o peste correu mais
E quando eu cheguei fui vendo
O bicho tava lambendo
E cheirando os costais.

Botou os zoião em mim
E disse: “Eu não quero ouro
Saí lá do meu planeta
Vim atrás desse tesouro
Vou levar tudo pra Marte”
E eu peguei um bacamarte
Que tava detrás da porta
Passei fogo no feioso
Mas, ou eu tava nervoso
Ou a mira tava torta.

Não acertei nem um chumbo
No rabo do desgraçado
Quando baixou a fumaça
O infeliz tava sentado
Num costal de rapadura
Com toda sua feiúra
Balançando o cabeção
Dizendo: “Pare com isso
Deixe desse reboliço
Pois assim não vai dar não”.

E um taco de rapadura
Ficou assim mastigando
E disse em tom de pirraça:
“Ouça o que eu estou falando
Você não pode comigo
Se teimar lhe dou castigo”
Aquilo me enfureceu
Tentei dar uma rasteira
Mas foi a maior besteira
Quem ficou no chão fui eu.

O feioso era ligeiro
Feito notícia ruim
Quando eu armei a rasteira
Acertou o rabo em mim
Foi mesmo no pé-do-ouvido
Até hoje ouço um zumbido
Dentro da minha orelha
Na hora eu caí pra trás
Aquilo doeu demais
Feito ferrão de abelha.

E eu pensei: “Agora mesmo
Aumentou meu interesse
Eu levando uma rabada
Dum fi-duma-égua desse
Já amansei burro brabo
Vou lhe pegar pelo rabo
Dar umas oito pirueta
Depois eu boto o imundo
Pra abrir no oco do mundo
E voltar pro seu planeta.

Mas quando agarrei no rabo
Do jeito do planejado
Ele soltou uma bufa
Que eu fiquei desnorteado
A bufa do infeliz
Acertou no meu nariz
Com uma intensidade
Que eu fiquei só girando
Uns três minutos rodando
Em busca de identidade.

Quando passou o efeito
Recobrei a consciência
Me deparei com uma cena
Que eu perdi a paciência
O bicho tava sentado
Muito bem acomodado
Fumando meu pé-de-burro
Bebendo minha cachaça
Feliz e achando graça
E me disse num sussurro:

“Agora, seu Zé Mane
Vou levar a rapadura
Gostei também da cachaça
Parece que essa é pura
Foi quando eu bolei um plano
Disse: “Oxente, seu fulano
Você não conhece cana
Eu tenho uma ali guardada
É a melhor qualificada
Brejeira, paraibana”.

Eu só não disse pra ele
Que a cachaça era um forno
Conhecida pelo nome
Rasga-Rabo, Amansa-Corno
Fui buscar o garrafão
Ele tomou da minha mão
Bebeu tudo de um gole
E girando o cabeção
Qual coruja no mourão
Ficou caindo de mole.

Deixei-o de quatro pé
Na porta do seu transporte
Disse: “Agora vamos ver
Se esse sujeito é forte
Trouxe um jumento de lote
Fiquei só de camarote
Assistindo aquela cena
O jegue deu uma varada
Que daquela presepada
Até hoje eu sinto pena.

O marciano acordou
E saiu de rabo ardendo
Com os zoião pegando fogo
E o ‘ás de copa’ doendo
Tava desorientado
Dizendo: “Fui enrabado”
Fez a nave ir pra riba
Saiu fazendo uma jura:
“Nem por toda a rapadura
Não volto na Paraíba”.


Por Vicente Campos Filho - Cordelista bom que a peste

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Insônia - Adolpho Chacon

Meu amigo Chacon escreveu este numa madrugada destas...

*         *         *

Insônia, indesejada companheira
Silenciosa razão do meu tormento
Afasta o amanhecer, que tanto se demora
E me tortura em tortuosos pensamentos
Quisera eu que um sono agora me abatesse
Como uma queda desse meu apartamento,
Mas é o primeiro este andar no qual habito
E se da varanda eu me atirasse no jardim
A minha insônia, que é tão obstinada
De sacanagem, pularia atrás de mim.

Por Adolpho Chacon.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Onde Estão as Flores?

Temos carros e internet,
Temos conforto e televisão,
Temos progresso e comodismo,
Temos tudo e tudo nos falta.

Desejamos salvar o mundo,
Desejamos limpar o ar e os rios,
Desejamos um mundo melhor para os nosso filhos,
Mas queremos é limpar a consciência e sairmos ilesos.

Perdemos a cidadania,
Perdemos a gentileza e a ternura,
Perdemos o senso dos direitos alheios e dos deveres próprios,
Hierarquizamos a nossa pluralidade para esquecermos do próximo:
Matamos a justiça que tanto clamamos.

Perdemos o vizinho e o amigo,
Perdemos o carinho e a paciência,
Perdemos a simpatia e a vontade,
Ganhamos o egoísmo e a vaidade.

Mas as flores, onde estão?
Onde estão suas cores para agraciar a vida?
Onde estão seus perfumes aliviar a existência?
Onde estão suas pencas para despertar a criança?

Alguém ainda lembra das flores?