Neste constante balançar inabalável, instável de si, que só faz lançar, de uma só vez, de uma borda à outra, tudo e todos,
Perde-se dos pés o chão, perde-se das pernas a firmeza e cai-se, num instante, no infinito vazio que rouba o fôlego e engasga a voz; e cai-se, sem do lugar sair.
E neste desespero, é a esperança de ao outro lado chegar, outro qualquer lado que seja, diante do desespero da derrota e do abandono completo, que faz com que o levantar, mesmo sobre trêmulos joelhos esfolados, ainda que incerto, seja possível.
E envergado sobre os pés vacilantes, recosta-se e timidamente se segura, da forma que se pode, a algo discreto e que não afete a imagem, mas dê gratuita firmeza até a próxima ressaca, que certo como o sol no amanhecer seguinte, virá!
Enxuga-se o rosto, firma-se o semblante e fixa-se o olhar ao turvo e questionável destino, disfarçando os medos e as vergonhas que ainda na garganta palpitam, para que permaneça a imagem heroica, ao menos como deveria: invejável, intocável e inquestionável.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Meu Ranchinho Paulistano
Ontem foi segunda-feira e, como uma boa segunda-feira, o dia começou lento, pesado e desmotivador. O trânsito estava carregado, os motoristas com dificuldades em manter-se nas respectivas faixas, em seguir a sinalização e respeitar os concidadãos. O sol já fazia bem o seu trabalho – e muito bem feito – elevando a temperatura rapidamente desde bem cedo. Bom, é São Paulo e é verão, e é óbvio que já sabemos como termina esta história: temporal garantido!
Só que ontem não foi um simples temporal, foi um temporal de segunda-feira, carregado de mau-humor e azedo da ressaca. E ele veio por volta das duas horas da tarde. O dia virou noite, aquele sol machão da manhã desapareceu num relâmpago (que trocadilho mais sem graça, hein?). Mas sim, relâmpagos foi o que não faltou, teve para tudo quanto é gosto: barulhento, demorado, assustador, tímido... E o mundo caiu, é lógico, caiu de uma só vez com toda força e em enorme quantidade. Foi um pouco mais de uma hora no mesmo ritmo, sem diminuir, chuva da grossa, ventania, raios, trovões, pessoal assustado no escritório, boatos brotando mais rápido que o refluxo dos bueiros, e eu assistindo a inundação na rua da frente, que nunca tinha visto daquele jeito.
Enfim, não vou entrar em detalhes porque os telejornais vespertinos fazem isso como ninguém. Mas o que aconteceu foi que o caos se instaurou e não restava opção que não fosse prolongar o horário de trabalho e esperar. E esperei! Então, a chuva passou, até saiu um solzinho entre as nuvens, o chão começou a secar e as buzinas a diminuir. Achei que aquela era minha hora e fui embora. Ainda havia um chuvisco aqui, outro ali, mas nada de alarmante. As ruas que eu passaria haviam sido inundadas por córregos transbordantes, mas quando passei havia apenas um barro fétido nas laterais, restos de lixos e outras tralhas. Aproveitei para passar no mercado comprar umas coisas para casa, inclusive meu jantar, e fui para casa. Conforme me aproximava de casa, aumentava a quantidade de semáforos apagados, alguns com agentes da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) tentando orientar os motoristas, outros abandonados à sorte. Cabe aqui um parêntese: os semáforos de São Paulo não estão aguentando chuva alguma, de qualquer tipo, eles estão entrando em pane até com espirros!
Mas continuemos! E conforme eu me aproximava ainda mais de casa, comecei a notar que uma escuridão tomava lugar por entre as ruas, prédios, casas, bares... Tudo estava um breu só, iluminado apenas pelas luzes dos carros. É claro que não achava que eu seria afetado, mas fui! Cheguei tarde a minha casa, cansado e com minha mochila e a bagagem do mercado que tive que levar no lombo até o oitavo andar, descontando o mezanino, à luz do meu celular que estava com a bateria praticamente zerada. Com o calor que fiquei da subida, o banho gelado foi como um prêmio. Jantei à luz de velas e lamparina, ouvindo as notícias no meu radinho a pilhas – presente do meu irmão, obrigado, e agora kit indispensável para se viver em São Paulo! – e depois me joguei no sofá enquanto o tempo se arrastava a passar. Mas eu não moro longe, não tenho que pegar diversas conduções apertadas para rodar vários quilômetros e fazer uma verdadeira viagem para casa; imaginemos as pessoas que não têm como escapar disso!

Não vou negar que foi gostoso ter uma noite tranquila e prematura como as de um rancho no interior (rio até tinha lá fora), mas a energia elétrica acabou por volta das duas horas da tarde, voltando mais de dez horas depois (isso no meu bairro, há bairros que ainda estão sem energia), sem nenhuma resposta da companhia elétrica aos usuários solicitantes. Estamos falando de São Paulo, uma das mais importantes cidades do mundo e que sucumbe, submerge diante de qualquer chuvisqueiro e agora, além das tradicionais enchentes, tem estas novidades certas: semáforos fragilizados e energia elétrica rebelada. Aí começa toda a discussão: é o fornecimento que foi afetado; não há semáforo que aguente; a chuva foi muito forte! E eu pergunto aos senhores governantes deste povoado: quanto tempo faz que as chuvas de verão não são tão fortes por aqui? Qual é a novidade? Chuvas torrenciais no verão de São Paulo há tempos são tradicionais.
São vários os fatores que contribuem para isso, mas o descaso dos nossos governantes não pode ser encoberto com a simples passagem de responsabilidades para o povo e para a “mãe natureza”. O incrível de tudo isso é que, a cada dia mais, São Paulo, a capital do estado mais rico desta nação, uma das mais importantes cidades do mundo, não é menos precária que um ranchinho aconchegante à beira do rio.
Só que ontem não foi um simples temporal, foi um temporal de segunda-feira, carregado de mau-humor e azedo da ressaca. E ele veio por volta das duas horas da tarde. O dia virou noite, aquele sol machão da manhã desapareceu num relâmpago (que trocadilho mais sem graça, hein?). Mas sim, relâmpagos foi o que não faltou, teve para tudo quanto é gosto: barulhento, demorado, assustador, tímido... E o mundo caiu, é lógico, caiu de uma só vez com toda força e em enorme quantidade. Foi um pouco mais de uma hora no mesmo ritmo, sem diminuir, chuva da grossa, ventania, raios, trovões, pessoal assustado no escritório, boatos brotando mais rápido que o refluxo dos bueiros, e eu assistindo a inundação na rua da frente, que nunca tinha visto daquele jeito.
Enfim, não vou entrar em detalhes porque os telejornais vespertinos fazem isso como ninguém. Mas o que aconteceu foi que o caos se instaurou e não restava opção que não fosse prolongar o horário de trabalho e esperar. E esperei! Então, a chuva passou, até saiu um solzinho entre as nuvens, o chão começou a secar e as buzinas a diminuir. Achei que aquela era minha hora e fui embora. Ainda havia um chuvisco aqui, outro ali, mas nada de alarmante. As ruas que eu passaria haviam sido inundadas por córregos transbordantes, mas quando passei havia apenas um barro fétido nas laterais, restos de lixos e outras tralhas. Aproveitei para passar no mercado comprar umas coisas para casa, inclusive meu jantar, e fui para casa. Conforme me aproximava de casa, aumentava a quantidade de semáforos apagados, alguns com agentes da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) tentando orientar os motoristas, outros abandonados à sorte. Cabe aqui um parêntese: os semáforos de São Paulo não estão aguentando chuva alguma, de qualquer tipo, eles estão entrando em pane até com espirros!
Mas continuemos! E conforme eu me aproximava ainda mais de casa, comecei a notar que uma escuridão tomava lugar por entre as ruas, prédios, casas, bares... Tudo estava um breu só, iluminado apenas pelas luzes dos carros. É claro que não achava que eu seria afetado, mas fui! Cheguei tarde a minha casa, cansado e com minha mochila e a bagagem do mercado que tive que levar no lombo até o oitavo andar, descontando o mezanino, à luz do meu celular que estava com a bateria praticamente zerada. Com o calor que fiquei da subida, o banho gelado foi como um prêmio. Jantei à luz de velas e lamparina, ouvindo as notícias no meu radinho a pilhas – presente do meu irmão, obrigado, e agora kit indispensável para se viver em São Paulo! – e depois me joguei no sofá enquanto o tempo se arrastava a passar. Mas eu não moro longe, não tenho que pegar diversas conduções apertadas para rodar vários quilômetros e fazer uma verdadeira viagem para casa; imaginemos as pessoas que não têm como escapar disso!
Não vou negar que foi gostoso ter uma noite tranquila e prematura como as de um rancho no interior (rio até tinha lá fora), mas a energia elétrica acabou por volta das duas horas da tarde, voltando mais de dez horas depois (isso no meu bairro, há bairros que ainda estão sem energia), sem nenhuma resposta da companhia elétrica aos usuários solicitantes. Estamos falando de São Paulo, uma das mais importantes cidades do mundo e que sucumbe, submerge diante de qualquer chuvisqueiro e agora, além das tradicionais enchentes, tem estas novidades certas: semáforos fragilizados e energia elétrica rebelada. Aí começa toda a discussão: é o fornecimento que foi afetado; não há semáforo que aguente; a chuva foi muito forte! E eu pergunto aos senhores governantes deste povoado: quanto tempo faz que as chuvas de verão não são tão fortes por aqui? Qual é a novidade? Chuvas torrenciais no verão de São Paulo há tempos são tradicionais.
São vários os fatores que contribuem para isso, mas o descaso dos nossos governantes não pode ser encoberto com a simples passagem de responsabilidades para o povo e para a “mãe natureza”. O incrível de tudo isso é que, a cada dia mais, São Paulo, a capital do estado mais rico desta nação, uma das mais importantes cidades do mundo, não é menos precária que um ranchinho aconchegante à beira do rio.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Este Blog é Recomendadíssimo!!
O José Vitor Lemes, do blog “Um Passeio... Longe...” recomendou o “Desce Mais Uma!” em uma lista de indicados, em seu blog, a receber o selo “Este Blog é Recomendadíssimo” do Projeto Créativité. Diante desta gentil homenagem do José Vitor e da interessante proposta deste projeto, resolvi participar e obedecer às mandatórias duas as simples regras (as quais deverão ser obedecidas pelos amigos indicados que resolverem levar o selo):
- Publicar o selo no próprio blog;
- Indicar quinze blogs para receber este selo de acordo com estas regras;
- Responder às oito perguntas a seguir.
Parece simples, mas escolher os quinze blogs, sem cometer injustiças não é nada fácil! Espero que nenhum amigo se ofenda caso não encontre o seu blog nesta lista limitada, mas ainda estou seguindo vocês!
Vamos às perguntas (que me lembram aqueles caderninhos da escola):
Nome: Rafael Castellar das Neves
Músicas: bom e velho Rock.
Humor: considerando o que ouço das pessoas, tem um pouco de tudo, mas acho que “engraçado” é o que predomina.
Uma Estação: Outono, sem pestanejar.
Uma Cor: verde.
Como prefere viajar: bem acompanhado.
Frases ou palavras ditas por você:
- A verdadeira compreensão se restringe aos limites do seu próprio ser.
- Na melhor das situações, estou sozinho.
- Amar é como lançar-se livre a um precipício desconhecido, ignorando a sua profundidade e fim; apenas saboreando, de peito aberto e sorriso no rosto, o vento fresco da queda.
O que achou do selo: achei uma ótima ideia, pois, além de divulgar o projeto, ajuda muito a difícil tarefa de divulgação de blogs. Temos muito conteúdo de qualidade que precisam ser descobertos.
Vamos à Lista de Blogs:
- NimbyPolis - Nilson Barcelli
- Amador do Verso - Emanuel "Manu" Lomelino
- Os 7 Degraus - Maria Luisa Adães
- Cântico das Palavras - Cynthia Lopes
- Palavras e Poemas - Livinha
- Memórias Vivas e Reais - Pena
- Parole - Solange
- Poemas da Ria - Carlos Pereira
- Falando ao Coração - Verinha
- Mundo Cordel - Marcos Mairton
- No Passo do Mundo - Daniel Maia Silveira
- Sentimentalidades - Juliana.
- Um Lugar ao Sol, Perto do Vento - Ju Fuzetto
- Perfumes e Palavras - Ingrid
- JefhCardoso - Jefh
É isso aí... divulguemos... abraço a todos!!
- Publicar o selo no próprio blog;
- Indicar quinze blogs para receber este selo de acordo com estas regras;
- Responder às oito perguntas a seguir.
Parece simples, mas escolher os quinze blogs, sem cometer injustiças não é nada fácil! Espero que nenhum amigo se ofenda caso não encontre o seu blog nesta lista limitada, mas ainda estou seguindo vocês!
Vamos às perguntas (que me lembram aqueles caderninhos da escola):
Nome: Rafael Castellar das Neves
Músicas: bom e velho Rock.
Humor: considerando o que ouço das pessoas, tem um pouco de tudo, mas acho que “engraçado” é o que predomina.
Uma Estação: Outono, sem pestanejar.
Uma Cor: verde.
Como prefere viajar: bem acompanhado.
Frases ou palavras ditas por você:
- A verdadeira compreensão se restringe aos limites do seu próprio ser.
- Na melhor das situações, estou sozinho.
- Amar é como lançar-se livre a um precipício desconhecido, ignorando a sua profundidade e fim; apenas saboreando, de peito aberto e sorriso no rosto, o vento fresco da queda.
O que achou do selo: achei uma ótima ideia, pois, além de divulgar o projeto, ajuda muito a difícil tarefa de divulgação de blogs. Temos muito conteúdo de qualidade que precisam ser descobertos.
Vamos à Lista de Blogs:
- NimbyPolis - Nilson Barcelli
- Amador do Verso - Emanuel "Manu" Lomelino
- Os 7 Degraus - Maria Luisa Adães
- Cântico das Palavras - Cynthia Lopes
- Palavras e Poemas - Livinha
- Memórias Vivas e Reais - Pena
- Parole - Solange
- Poemas da Ria - Carlos Pereira
- Falando ao Coração - Verinha
- Mundo Cordel - Marcos Mairton
- No Passo do Mundo - Daniel Maia Silveira
- Sentimentalidades - Juliana.
- Um Lugar ao Sol, Perto do Vento - Ju Fuzetto
- Perfumes e Palavras - Ingrid
- JefhCardoso - Jefh
É isso aí... divulguemos... abraço a todos!!
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Pelos Campos de Batalhas
Não depois,
Nem antes,
Mas na guerra, somente na guerra,
Entre uma batalha e outra,
Poderá o soldado, escondido de si, desempunhar sua arma e afrouxar-se sobre os próprios joelhos cansados,
E de si, feito criança, despejar todos os seus medos, todas as raivas e todas as derrotas que lhe assolam o coração;
Todas as mentiras, todos os descasos e toda a ignorância premeditada que lhe fraquejam a alma.
Somente assim,
Na pior das suas formas,
Humilhado por si próprio,
Cansado de toda uma caminhada incerta,
Atordoado de tanto lutar,
Sem nem mais o motivo lembrar – ou importar –,
Que poderá o soldado, então, conhecer verdadeiramente a paz!
Nem antes,
Mas na guerra, somente na guerra,
Entre uma batalha e outra,
Poderá o soldado, escondido de si, desempunhar sua arma e afrouxar-se sobre os próprios joelhos cansados,
E de si, feito criança, despejar todos os seus medos, todas as raivas e todas as derrotas que lhe assolam o coração;
Todas as mentiras, todos os descasos e toda a ignorância premeditada que lhe fraquejam a alma.
Somente assim,
Na pior das suas formas,
Humilhado por si próprio,
Cansado de toda uma caminhada incerta,
Atordoado de tanto lutar,
Sem nem mais o motivo lembrar – ou importar –,
Que poderá o soldado, então, conhecer verdadeiramente a paz!
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Porquês
Uma vez fundamentada a consciência da existência própria em um meio nada único, mas única e primordial na própria vida, passam os porquês a serem formados desordenadamente e diabolicamente inseridos de forma conflitante aos momentos pelos quais se passa, tornando-se elementos perpétuos e armas contra sigo mesmo que exigem cuidados extremos ao serem, no mínimo, considerados.
Muitos foram os indexáveis e inevitáveis porquês que me atormentaram e de mim exigiram uma grande e preciosa parte da vida e de mim mesmo, em vão! Sim, em vão, pois de mim eles tanto tiraram, mas nunca foram tirados e nem respondidos. Ao menos serviram para deixar cicatrizes que deste processo e suas consequências me fazem lembrar.
Como a qualquer porque, responder a estes se resume a simplesmente encontrar a raiz que o causa: olhar de perto, com atenção e dedicação, todas os eventos, variáveis e elementos que possam estar envolvidos e deste aglomerado de informações tentar entender a dinâmica e o como se relacionam para, assim, obter esta raiz e a ela tratar, erradicando o tal porquê. Simples, certo? Sim, simples, mas extremamente custoso. Estes porquês, como todos bem sabemos – e, neste ponto, o leitor, naturalmente, já consegue ter em mente uma lista daqueles que o persegue –, de triviais não têm nem o nome. A complexidade que os cerca e os compõem se dá pelo emaranhado de informações emocionais que se formam e se transformam entre si durante toda uma vida. Não são isoladas e nem momentâneas, mas extremamente carregadas do que realmente somos, permeando nossos mais profundos e obscuros cantos – que assim os são por desconhecimento ou por simples ignorância proposital justificada pela dor que já causaram.
Desta maneira, enveredar-se em busca das respostas para este tipo de porque é uma tarefa árdua e cara! Requer custos altíssimos que não temos a ideia de quanto representam e que nem sempre estamos preparados para com eles arcar. Destes custos, o que mais salta aos olhos e mais representa para o “viver” é o tempo, e tempo é algo de que pouco dispomos, pois sabe já o leitor que a vida é curta e preciosa.
E sim, tentado a obter as respostas que julgava poderem, inclusive, abrir minha mente e melhorar o meu caminho, dediquei tempo e atenção a alguns destes porquês que me incomodavam e julguei serem de importância relevante; mas o que obtive, no melhor dos casos, foi estagnação, ademais, retrocesso e deterioração da minha vida.
Estes porquês não são apenas consumidores insaciáveis do nosso precioso tempo, mas são amarras extremamente fortes com nosso passado. Um passado incompreendido e que deveria simplesmente ser guardado em um baú, dentro de um quarto escuro para, vez ou outra, ser observado de longe para referência ao hoje.
Colocar-se a responder estes porquês ou, ao menos, tentar entender as razões de suas existências, não é nada para se orgulhar, pelo contrário é parar em um canto escuro qualquer do próprio caminho e nele se assentar, pondo-se a remoer, a lamentar e alienar-se, enquanto as oportunidades, as pessoas, os sentimentos, os momentos e possibilidades passam, bem ao nosso lado e sem nos darmos conta. E se nos dermos conta, já serão passado e nem mesmo as pegadas existirão para serem seguidas. Tudo isso por um entendimento que, muito provavelmente, nunca virá, e se vier, não valerá o preço que foi pago.
Às duras custas, hoje entendo que estes porquês sempre existirão e ao decidir em responder um destes porquês, devo analisar bem a importância que ele tem e, principalmente, a utilidade que sua resposta poderia trazer para mim, para então olhar ao meu redor e contabilizar minha vida a fim de identificar se tenho algum trocado para gastar com ele. Realmente tenho este entendimento, e por esta única razão simplesmente rio, sem nenhum pesar, destes porquês, mas sem deles zombar. Apenas sei que existem por algum motivo importante e, por isso, os considero como importantes referências, mas sem com eles desperdiçar um minuto sequer da minha preciosa existência, e muito menos daquelas que me cercam. Por isso, vivo cada momento, saboreio cada curva do meu caminho, monto cada cavalo selado que por mim passa em disparada, sem trazer arrependimentos em minha bagagem – estes eu deixo para trás jogados a apodrecer às beiras da minha estrada –, levando apenas o que realmente me mantém firme neste movimento desenfreado que chamo viver.
Aos porquês deixo apenas minha ciência sobre as suas existências, às suas respostas minha mais sarcástica ignorância; pois respondê-los é amarrar-se a um junco qualquer de beira de estrada e a ele permanecer sozinho feito um animal condenado, digerindo a si mesmo a espera do fim. Não foi para isto que vim, vim para cantar!
Muitos foram os indexáveis e inevitáveis porquês que me atormentaram e de mim exigiram uma grande e preciosa parte da vida e de mim mesmo, em vão! Sim, em vão, pois de mim eles tanto tiraram, mas nunca foram tirados e nem respondidos. Ao menos serviram para deixar cicatrizes que deste processo e suas consequências me fazem lembrar.
Como a qualquer porque, responder a estes se resume a simplesmente encontrar a raiz que o causa: olhar de perto, com atenção e dedicação, todas os eventos, variáveis e elementos que possam estar envolvidos e deste aglomerado de informações tentar entender a dinâmica e o como se relacionam para, assim, obter esta raiz e a ela tratar, erradicando o tal porquê. Simples, certo? Sim, simples, mas extremamente custoso. Estes porquês, como todos bem sabemos – e, neste ponto, o leitor, naturalmente, já consegue ter em mente uma lista daqueles que o persegue –, de triviais não têm nem o nome. A complexidade que os cerca e os compõem se dá pelo emaranhado de informações emocionais que se formam e se transformam entre si durante toda uma vida. Não são isoladas e nem momentâneas, mas extremamente carregadas do que realmente somos, permeando nossos mais profundos e obscuros cantos – que assim os são por desconhecimento ou por simples ignorância proposital justificada pela dor que já causaram.
Desta maneira, enveredar-se em busca das respostas para este tipo de porque é uma tarefa árdua e cara! Requer custos altíssimos que não temos a ideia de quanto representam e que nem sempre estamos preparados para com eles arcar. Destes custos, o que mais salta aos olhos e mais representa para o “viver” é o tempo, e tempo é algo de que pouco dispomos, pois sabe já o leitor que a vida é curta e preciosa.
E sim, tentado a obter as respostas que julgava poderem, inclusive, abrir minha mente e melhorar o meu caminho, dediquei tempo e atenção a alguns destes porquês que me incomodavam e julguei serem de importância relevante; mas o que obtive, no melhor dos casos, foi estagnação, ademais, retrocesso e deterioração da minha vida.
Estes porquês não são apenas consumidores insaciáveis do nosso precioso tempo, mas são amarras extremamente fortes com nosso passado. Um passado incompreendido e que deveria simplesmente ser guardado em um baú, dentro de um quarto escuro para, vez ou outra, ser observado de longe para referência ao hoje.
Colocar-se a responder estes porquês ou, ao menos, tentar entender as razões de suas existências, não é nada para se orgulhar, pelo contrário é parar em um canto escuro qualquer do próprio caminho e nele se assentar, pondo-se a remoer, a lamentar e alienar-se, enquanto as oportunidades, as pessoas, os sentimentos, os momentos e possibilidades passam, bem ao nosso lado e sem nos darmos conta. E se nos dermos conta, já serão passado e nem mesmo as pegadas existirão para serem seguidas. Tudo isso por um entendimento que, muito provavelmente, nunca virá, e se vier, não valerá o preço que foi pago.
Às duras custas, hoje entendo que estes porquês sempre existirão e ao decidir em responder um destes porquês, devo analisar bem a importância que ele tem e, principalmente, a utilidade que sua resposta poderia trazer para mim, para então olhar ao meu redor e contabilizar minha vida a fim de identificar se tenho algum trocado para gastar com ele. Realmente tenho este entendimento, e por esta única razão simplesmente rio, sem nenhum pesar, destes porquês, mas sem deles zombar. Apenas sei que existem por algum motivo importante e, por isso, os considero como importantes referências, mas sem com eles desperdiçar um minuto sequer da minha preciosa existência, e muito menos daquelas que me cercam. Por isso, vivo cada momento, saboreio cada curva do meu caminho, monto cada cavalo selado que por mim passa em disparada, sem trazer arrependimentos em minha bagagem – estes eu deixo para trás jogados a apodrecer às beiras da minha estrada –, levando apenas o que realmente me mantém firme neste movimento desenfreado que chamo viver.
Aos porquês deixo apenas minha ciência sobre as suas existências, às suas respostas minha mais sarcástica ignorância; pois respondê-los é amarrar-se a um junco qualquer de beira de estrada e a ele permanecer sozinho feito um animal condenado, digerindo a si mesmo a espera do fim. Não foi para isto que vim, vim para cantar!
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Paz!
Mais uma do Léo: uma mensagem de ano novo para pensarmos com real dedicação...
O expediente da sexta-feira se aproxima do fim. Um clima de ansiedade já se espalha no ar e todos estão se planejando para o final de semana prolongado que vai começar daqui há pouco. Uns vão viajar, outros querem apenas descansar e ficar com a família, mas, o que todos esperam são momentos de alegria, diversão e paz. Atualmente me encaixo na última opção, paz, palavrinha que como outras, pequenas no tamanho, mas de significado imensurável, fazem parte do nosso imaginário mais desejado.
Entendo a paz como sinônimo de felicidade, tamanha a dependência que esta tem daquela. Podemos defini-la como a situação em que não deveríamos nos permitir pensar nem fazer nada que nos aborreça. Para muitos, fazer nada é paz, para outros, fazer tudo o que gosta é que é. Não ter compromisso com nada pode trazer paz, ter muito compromisso, com tudo, também.
A vida nos leva sempre para algum tipo de opção à qual somos praticamente obrigados a fazer. Muitas vezes, sem vontade e sem saber exatamente o que nos espera depois da curva. Vivemos assim, crescemos assim e temos que administrar os nossos medos e vontades porque crescemos.
Infelizmente, nosso aprendizado nem sempre acompanha as mudanças do corpo físico, e o que vai por dentro é que nos direciona e nos faz escolher o que achamos melhor para a nossa paz.
Encontrar a paz é um pouco complicado, pelo menos para mim é. Ficar em paz não é simples, temos que trabalhar pela paz que queremos ao nosso redor, e não só dentro da gente. Uma palavra na hora errada, um gesto precipitado, um humor alterado e lá se vai o momento de paz que você havia conseguido, ou achava que havia.
Talvez o melhor em buscar a tal “paz interior” seja a vigília constante pela “paz exterior”, ou seja, o ambiente em que vivemos e dividimos com outras pessoas vai definir o quanto podemos nos aproximar do “estado de graça” tão desejado.
Assim como fazemos com a felicidade, talvez possamos viver apenas alguns momentos de paz, a perpetuação desses momentos pode ser uma utopia, mas, o que somos sem sonhos?
Cultivar a paz, tê-la como bandeira em todas as nossas atitudes e procurar levá-la a um números cada vez maior de pessoas, mesmo por um breve momento.
Para garantir a sua paz, cuide da paz dos outros. Essa deve ser a melhor maneira de alcançarmos o objetivo final. A paz comum, compartilhada, generosamente dividida e usufruída por todos.
Ironicamente, precisamos “lutar” por isso.
Paz!
* * *
O expediente da sexta-feira se aproxima do fim. Um clima de ansiedade já se espalha no ar e todos estão se planejando para o final de semana prolongado que vai começar daqui há pouco. Uns vão viajar, outros querem apenas descansar e ficar com a família, mas, o que todos esperam são momentos de alegria, diversão e paz. Atualmente me encaixo na última opção, paz, palavrinha que como outras, pequenas no tamanho, mas de significado imensurável, fazem parte do nosso imaginário mais desejado.
Entendo a paz como sinônimo de felicidade, tamanha a dependência que esta tem daquela. Podemos defini-la como a situação em que não deveríamos nos permitir pensar nem fazer nada que nos aborreça. Para muitos, fazer nada é paz, para outros, fazer tudo o que gosta é que é. Não ter compromisso com nada pode trazer paz, ter muito compromisso, com tudo, também.
A vida nos leva sempre para algum tipo de opção à qual somos praticamente obrigados a fazer. Muitas vezes, sem vontade e sem saber exatamente o que nos espera depois da curva. Vivemos assim, crescemos assim e temos que administrar os nossos medos e vontades porque crescemos.
Infelizmente, nosso aprendizado nem sempre acompanha as mudanças do corpo físico, e o que vai por dentro é que nos direciona e nos faz escolher o que achamos melhor para a nossa paz.
Encontrar a paz é um pouco complicado, pelo menos para mim é. Ficar em paz não é simples, temos que trabalhar pela paz que queremos ao nosso redor, e não só dentro da gente. Uma palavra na hora errada, um gesto precipitado, um humor alterado e lá se vai o momento de paz que você havia conseguido, ou achava que havia.
Talvez o melhor em buscar a tal “paz interior” seja a vigília constante pela “paz exterior”, ou seja, o ambiente em que vivemos e dividimos com outras pessoas vai definir o quanto podemos nos aproximar do “estado de graça” tão desejado.
Assim como fazemos com a felicidade, talvez possamos viver apenas alguns momentos de paz, a perpetuação desses momentos pode ser uma utopia, mas, o que somos sem sonhos?
Cultivar a paz, tê-la como bandeira em todas as nossas atitudes e procurar levá-la a um números cada vez maior de pessoas, mesmo por um breve momento.
Para garantir a sua paz, cuide da paz dos outros. Essa deve ser a melhor maneira de alcançarmos o objetivo final. A paz comum, compartilhada, generosamente dividida e usufruída por todos.
Ironicamente, precisamos “lutar” por isso.
Paz!
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Demência Buscada
Quisera eu, sob demência plena, num amanhecer nebuloso, rolar sobre o gramado úmido, por entre voares de gordos pombos, encontrar alegria desenfreada e desprendida, sem dar-me conta das tristes verdades, hipocritamente disfarçadas, que assombram traiçoeiramente os momentos mais nobres, com um acaso ridiculamente proposto.
Quisera eu, alienado desta, lançar-me à outra realidade, a de sonhos, únicos e misturados, criados a cada respirar, moldados a cada pensamento – meu –, vivíveis, tocáveis, reais; a eles me agarraria e entre eles viveria, não ingenuamente, mas pura e puerilmente em toda sua essência, como desde então não sei mais fazer.
Quisera eu, então, entorpecido de mim mesmo, pirar de vez, alucinar e torna-me alheio a mim mesmo e ao meu todo, não mais sentindo ou percebendo a mim mesmo, nem os medos que me congelam, nem os anseios que me turvam, nem as inseguranças que me falseiam, nem as decepções que me enfraquecem e nem os descasos que fazem abandonar-me; sem medo, não por coragem excessiva, mas por desconhecê-lo por completo.
Quisera eu, permanecer assim, lunático, em um mundo não mundo, com todas e nenhuma forma, colorido por todas as cores, mas gentil e doce, onde somente eu seria criador e criatura, sem ao menos perceber.
Quisera eu, alienado desta, lançar-me à outra realidade, a de sonhos, únicos e misturados, criados a cada respirar, moldados a cada pensamento – meu –, vivíveis, tocáveis, reais; a eles me agarraria e entre eles viveria, não ingenuamente, mas pura e puerilmente em toda sua essência, como desde então não sei mais fazer.
Quisera eu, então, entorpecido de mim mesmo, pirar de vez, alucinar e torna-me alheio a mim mesmo e ao meu todo, não mais sentindo ou percebendo a mim mesmo, nem os medos que me congelam, nem os anseios que me turvam, nem as inseguranças que me falseiam, nem as decepções que me enfraquecem e nem os descasos que fazem abandonar-me; sem medo, não por coragem excessiva, mas por desconhecê-lo por completo.
Quisera eu, permanecer assim, lunático, em um mundo não mundo, com todas e nenhuma forma, colorido por todas as cores, mas gentil e doce, onde somente eu seria criador e criatura, sem ao menos perceber.
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