testesetse

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Ondas, e Adeus

Ah, meu amigo, espero ter aproveitado ao menos o suficiente, pois já é tarde, tarde demais!
Vim longe demais – bem que me disseram.
Só agora, com a maré a molhar meus pés e a tudo inundando, é que percebo.
Tarde!

Afastei-me demais!
Mas ainda era seco e o tempo estava bom.
Distraí-me com tamanho encantamento e agora já não há como voltar.

Lá vêm elas, colossais, zombando da minha ingenuidade.
Por todos os lados, de mãos dadas, feito muralha, deslizando com elegância e prazer diabólico em minha direção.
Apenas ondas, e tudo se acaba.

Cercado, não há mais o medo, mas a impotente angústia petrificante firmada diante da onipotência, inevitável.
E num divertimento assustador, desabam com todas suas forças e deleites, por todos os lados, sobre mim.
No último momento de insano desespero, tentei, com toda minha voz e desejos, gritar por ajuda; mas, sufocado e inundado, engasguei!
Com braço estendido e mão espalmada, afundei surdo, com os pulmões cheios dos últimos e ternos momentos, à espera de outra redentora.

Quisera poder voar, invés de apenas lembrar.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Grandioso Galho Qualquer

Eita, galho majestoso, com que prazer baila ao vento sedutor que o acaricia em plena altura da copa!
Com razão e direito ostenta seu verdor juvenil das incontáveis folhas que lhe revestem e lhe dão forma.
Canta orgulhoso e radiante pela honra de simplesmente sê-lo: escolhido.
Entre outros de outras é o grandioso e o invejado, um dos maiores, único em si – em si!

Mas, atente-se!
Você compõe a paisagem, não a é.
É apenas mais um entre os tantos: grandes e fracos, frondosos e minguados; mais um!

Ingênuo, somente no vendaval entenderá que sempre esteve sozinho.
E lhe digo: segure-se como puder, porque sua beleza não será suficiente.
Sua magnitude lhe trairá, envergará até o limite das suas fibras.
Suas belas folhas pesarão o suficiente para amaldiçoá-las e repugná-las em meio a tanta dor.

E, se bravamente resistindo e suportando todas as dores que lhe forem impostas, envergar a sua própria árvore, encontrará a pior delas: ela se livrará de si!
Impotente, será partido no nó e rejeitado por seu defeito, que ora fora sua maior virtude e encantamento – quando de nada precisava.

Agora, fraquejado, agoniza seus últimos momentos.
Jogado à parte, descartado, sozinho: seca!
Os que precisam não são dignos de completar uma paisagem.
Se tiver sorte, virá o fogo ou o machado para aliviar suas dores e lhe sepultar longe daqui, galhada seca!


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Desceu Mais Uma na Terrinha!

Na última sexta-feira, o "Desce Mais Uma!" ganhou mais um grande presente: um artigo completo na coluna do Ricardo Ricci no jornal "A Cidade" de Santa Gertrudes - haja comemoração!

Convido a todos a conferir a matéria na íntegra, com direito à página do jornal que circula na megalópole.

Meus sinceros agradecimentos ao Ricardo por possibilitar essa grande oportunidade!

Abraço a todos...


* * *

Há pouco mais de um ano foi ao ar o blog “Desce Mais Uma!” (http://descemaisuma.blogspot.com). Criado e mantido por Rafael Castellar das Neves, o Desce Mais Uma! apresenta poesias, crônicas e contos sob temas que abordam situações cotidianas da existência humana – esquecidas e escondidas –, de forma crua, intensa e com pitadas sarcásticas.

O blog nasceu da decisão do Rafael em assumir seus rabiscos – até então jogados ao lixo – e apresentá-los publicamente. Diversas foram as opções após essa decisão, mas entre conversas e pesquisas o blog foi escolhido, uma vez que possibilitaria uma divulgação mais abrangente e uma forte interação com os leitores.

O “Desce Mais Uma!”, conforme o tão conhecido bordão, faz referência às tantas conversas, situações, causos e papos furados que se passam nas mesas dos bares. Mas que são discutidos com muita intensidade e sem pudores, que são deixados do lado de fora. Em seu primeiro aniversário, o blog foi reformulado e ganhou uma aparência que mistura boemia e literatura.

Os textos são publicados semanalmente e, devido às facilidades dos mecanismos de um blog, os leitores podem acompanhar, comentar e debater sobre cada texto publicado, junto com o Rafael que está sempre interagindo com seus leitores.

“A possibilidade de interagir com os leitores é uma das grandes vantagens de um blog. É incrível poder acompanhar e conhecer as reações causadas pelos meus textos. Alguns leitores passam a se fidelizar e assim vamos os conhecendo e conhecendo seus gostos. Algumas vezes, ao terminar um texto, já posso pensar: esse fulano é que vai gostar, enquanto beltrano vai se incomodar. Acho que esse é o grande resultado de uma criação artística: o efeito causado aos expectadores.”

"Outra grande vantagem de um blog é o fato de ele estar na internet. Hoje os textos são lidos e comentados em várias partes do mundo e a velocidade e abrangência de divulgação é fantástica. Posso acompanhar reações de leitores de culturas diferentes da nossa, que vivem em um contexto completamente diferente, e isso traz muita satisfação e empolgação com o trabalho. E uma vez que temos novos olhos sobre nosso trabalho, portas começam a se abrir. Além de publicações em blogs de grande referência, um grande exemplo é a publicação de um dos meus textos na revista italiana Multipoesia, a qual também veicula na internet um vídeo de minha autoria. Outra parceria que merece atenção é a criação de outro blog com mais quatro escritores portugueses, o Rasuras.”

“E foi a própria internet que permitiu um retorno do meu trabalho a minha terra, por intermédio da Odila Góes que me encontrou e me deu a grande oportunidade de uma participação memorável em uma das edições do seu programa Culturando, na rádio da nossa cidade.”

“Todos estes grandes momentos, inclusive este, estão disponíveis no “Desce Mais Uma!” e convido a todos a passar por lá e conhecer um pouco do meu trabalho, serão muito bem-vindos!”

Além do blog, o Rafael ainda mantém projetos relacionados em paralelo. Um deles, em primeira mão, é a edição independente de um livro comemorando o primeiro ano do blog, a qual deve ser concluída nos próximos meses: fiquem de olho no blog para acompanhar este lançamento.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Ganhamos o Concurso The Best GB - Janeiro/2010

Olás!!

É com muito prazer que anuncio que o "Desce Mais Uma!" é o campeão (olha!) do concurso de blogs The Best GB 2010.


Gazeta dos Blogueiros

Vejam os Resultados.

Agradeço a todos que puderam, literalmente, dar um voto de confiança ao “Desce Mais Uma!“ e todos que torceram e acompanharam. É com enorme satisfacação que compartilho este prêmio com todos vocês!

Muito obrigado!!

Abraços...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Concurso The Best GB 2010 - Uma mãozinha, por favor?

Pessoal,

O "Desce Mais Uma!" está concorrendo ao The Best GB 2010. São 10 blogs participantes. Destes, os 3 blogs com maior quantidade de votos, serão premiados com o Troféu The Best GB 2010. A votação encontra-se na página principal da Gazeta dos Blogueiros e se encerra em 1 semana.

Quem puder ajudar, por favor, acesse o Gazeta dos Blogueiros (http://www.gazetadosblogueiros.com/capa/votacao-the-best-gb-janeiro2010/) e vote no "Desce Mais Uma!".

Muito obrigado!!

Abraços e dedos cruzados...

Rafael

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Estou no Lado B

Há momentos e situações no nosso cotidiano diário do dia a dia que ficam entalados na garganta e produzem sensações revoltantes que somente um grito bem estourado e alto poderia alivar. Algumas vezes quando tenho estas sensações penso em escrever, mas são temas e estilos de escrita que não enquadrariam na proposta do Desce Mais Uma!

Por estes motivos, fui convidado pelo meu amigo Daniel Maia Silveira a participar do seu blog "Lado B - O Lado Ácido que Ninguém quer Ver" e, é claro, aceitei.

Hoje fiz minha primeira participação e convido a todos a conhecerem e participarem desse Lado da vida, onde tudo é possível, aceitável e excomungável!

Abraços...

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A Cabana

Pra lá daqueles morros há um rio.
Naquele rio, antes da larga curva, há uma praia de cascalhos.
Naquela praia, há uma grande figueira.
Na sombra da figueira, ergui uma cabana para o meu bem.

Naquela cabana vivemos, eu e meu bem, a melhor das vidas.
Naquela cabana eu vivi.

Naquela curva o rio se vai,
Naquela curva ela se foi
E naquela praia eu sentei.

O rio nunca mais voltou,
E por tanto em vão esperar, eu também.

Pra lá daqueles morros havia um rio.
Naquele rio, antes da larga curva, havia uma praia de cascalhos.
Naquela praia, havia uma grande figueira.
Na sombra da figueira, havia uma cabana que erguera para o meu bem.

Pra lá daqueles morros não há nada.